A arte da escrita
Escrever um livro exige muita leitura. É com a experiência adquirida de outros escritores que se encontra a chave para acessar o mundo fascinante da escrita. Desde criança, sou fascinado pela leitura e conheci a terra onde moram os livros por insistência da minha mãe—mas do meu jeito. Ela queria que eu lesse Machado de Assis e outros autores de sua preferência, mas eu resistia. Para enganá-la, pegava o livro sugerido, abria-o em uma página qualquer e colocava um gibi no meio.
Na adolescência, chutei o pau da barraca e me tornei “macho”. Ela aconselhava a leitura de O Diário de Dany, um livro chato de autoajuda para adolescentes, mas eu me instruía com as autoras malditas: Adelaide Carraro e Cassandra Rios. Apenas os livros da coleção Tesouros da Juventude, que eu adorava, nos uniam. Assim, eu e minha mãe divergimos cada vez mais nas nossas preferências literárias. Mas, como dizem, o mundo capota: segui seus passos e me embrenhei na arte da leitura e da escrita.
Escrever é uma atividade artística solitária! Alguns escritores pensam assim, pois preferem ambientes sem interferências externas, principalmente de outras pessoas, para não atrapalharem o processo de criação. Pode ser que estejam certos—afinal, a concentração exige certa harmonia com um ambiente silencioso.
Quando escrevo, gosto de estar sozinho, mas não me sinto solitário, longe disso! Estou acompanhado das minhas personagens, em uma relação dialética entre o que idealizo para elas e o que realmente querem ser. No processo de criação, a personagem tenta impor sua personalidade, e sempre consegue! Pode soar estranho, afinal, credita-se ao autor o poder de criar “vidas”. Mas não é bem assim. Entre o que o autor cria e as ações de suas personagens, existe um terceiro elemento: o narrador.
Quem escreve sabe o poder do narrador. Pelo menos comigo é assim! Idealizo um personagem, construo os conflitos da história, dou vida ao antagonista, mentalizo os cenários e, em seguida, me sento em frente ao computador para escrever. É aí que o narrador, esse temível intermediário, entra em ação. Quando tento transmitir a ele o que idealizei, ele se impõe: muda o rumo da história, redefine os personagens e altera os cenários ao seu bel-prazer.
O que constato é que, na arte da escrita, a chave para que uma narrativa conquiste o leitor é o narrador. E olha que muitos leitores nem percebem sua presença! Criar uma história não é algo complicado—muitos de nós fazemos isso, até com certa facilidade, em nossas conversas diárias. O mesmo ocorre com os personagens, que estão ao nosso redor.
Portanto, a arte da escrita está aí para ser praticada por quem desejar. Basta libertar o narrador que vive dentro de você. Mãos à obra!
UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA

Nasci em São José do Calçado, uma pequena cidade do sul capixaba. Fui batizado como Oscar Luiz Teixeira de Rezende, em homenagem ao meu pai, Oscar, e ao meu avô paterno, Luiz. Vivi a infância na Fazenda Velha, o meu cantinho do céu, como diz o amigo Edson Lobo, presidente da ACL (Academia Calçadense de Letras), e parte da adolescência na sede do município.
Passados alguns anos, mudei-me para Vitória-ES para estudar e trabalhar. Meu pai alegou que Calçado estava pequeno para mim—segundo ele, eu vivia numa malandragem de dar gosto. Não gostei de morar na capital: não tinha amigos, e o trabalho e os estudos ocupavam quase todo o meu tempo. Suportei aquela vida por apenas um ano. No seguinte, fui para Viçosa-MG reencontrar vários amigos calçadenses e cursar o último ano científico.
Graduei-me em Matemática pela UFV (Universidade Federal de Viçosa), fui professor e diretor do Coluni (Colégio Universitário) da UFV, casei-me e tive dois filhos. Após dezessete anos estudando e trabalhando na UFV, transferi-me para o Instituto Federal do Espírito Santo, em Vitória. Na capital capixaba, tive uma filha e continuei minha carreira acadêmica, cursando o mestrado em Informática na Ufes e voltando à UFV para fazer o doutorado em Engenharia Agrícola.
Em paralelo à minha atividade profissional, dediquei-me à literatura—uma herança da minha mãe, que sempre nos incentivou a ler e escrever. Minha primeira experiência na arte da escrita veio com a popularização da internet, quando criei o site O Broinha, uma revista online que publicava casos, fatos históricos e crônicas de São José do Calçado.
Após a aposentadoria, passei a me dedicar à leitura e à escrita. Publiquei três livros—dois de crônicas e um de contos—e ainda pretendo lançar mais alguns, principalmente romances. Dois deles estão em fase final de editoração. Sou encantado por livros e, sempre que tenho oportunidade, participo de atividades que envolvam escrita e leitura.
Sou membro da Academia Calçadense de Letras e vascaíno roxo. Identifico-me com a literatura latino-americana, principalmente com Gabriel García Márquez e Graciliano Ramos, que são fontes de inspiração.
LIVROS PUBLICADOS
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Murundu é um romance que conta a saga de dois amigos, Luís e Tenório, no período que vai do final do século XIX e início do século XX. Ainda na pubescência, Luís toma a decisão de sair de casa para tentar a sorte na corte. Até chegar à corte, sofreu algumas desditas e depois que lá se instalou, passou por várias peripécias e vicissitudes somente mitigadas pela amizade com o negro Tenório, o rejeitado filho de uma escrava. Como as dificuldades só aumentavam, os amigos Luís e Tenório não tiveram outra escolha senão atender ao recrutamento do imperador para a Guerra do Paraguai. Com a participação na guerra, Luís conseguiu um título de terra, no sul do Espírito Santo, e Tenório, a sua carta de alforria. Nas terras havia um quilombo em que Maria Cipriano, a benzedeira, travava uma luta com o Demônio que vivia no misterioso murundu de cupim. Esses elementos aliados à política de então, quando os “coronéis” detinham o poder despótico, dão o tom do romance.

-crônicas –
APRESENTAÇÃO
Há tempos penso em escrever este livro. Sempre tive o desejo de deixar registrado o meu olhar sobre os objetos, as pessoas e os lugares que me acompanham pela vida.
Ele nasce junto a uma nova fase da existência que começo a experimentar – o outono da vida. Dedico-me agora a olhar o passado, sem ficar preso a ele. Esse retorno traduz-se em um catalizador de novas empreitadas.
Ainda há muito o que fazer e escrever. Foi por onde iniciei essa nova experiência. A escrita, apesar de ser uma atividade solitária, tem-me ajudado a encontrar velhos e novos companheiros de vida.
Os textos que escrevo, em geral, têm como cenário a minha terra. Carlos Drummond de Andrade, ao se referir à sua cidade natal, diz que “Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como doi!”. São José do Calçado também é, para mim, um quadro na parede. Não vivo o seu cotidiano, pois estou afastado daquilo que hoje constitui a sua realidade. Nas poucas vezes em que visito a cidade, os meus olhos só veem as lembranças que modificam os seus espaços físicos, transportando-me para o tempo onde estão a infância e a adolescência ali vividas.
É nesse passado que reencontro os lugares, meus pais, irmãos, familiares, amigos, e toda as pessoas com as quais convivi. Tudo isso constitui o ambiente para a maioria das crônicas reunidas neste livro, que agora compartilho com vocês para julgamento.
Nesse contexto, gostaria de agradecer, antecipadamente, àqueles que se juntarem a mim, na leitura dessas crônicas inspiradas nos fragmentos históricos da minha vida.

– contos-
APRESENTAÇÃO
Vida e Morte à Sombra do Jaspe é um livro de contos conduzido por uma única voz: a do narrador – personagem. Suas histórias têm como cenário a pequena São José do Calçado, situada no sul capixaba. Os contos inspiram-se nesta cidade, cujas raízes culturais e folclóricas são carregadas de mistérios. O estilo literário aproxima-se do realismo fantástico. O narrador mistura personagens fictícios e reais, com personalidades construídas pela sua imaginação.
Dono de uma identidade misteriosa, apresentada logo nos primeiros contos, o narrador desafia a lógica do tempo, viajando pelo presente e pelo passado, em busca de inspiração para contar o que houve, entre a vida e a morte, com a gente daquela terra.
Nesse livro, a vida foi dada apenas ao narrador-personagem. A partir de então, ele ganhou autonomia para criar histórias que escondem o reverso da realidade local. Foi em busca de narrativas que retratam, de uma forma tragicômica, os mistérios que revoam os céus de São José do Calçado.

– crônicas –
APRESENTAÇÃO
Este livro reúne crônicas de dois autores: Oscar Rezende e Herculano Teixeira de Siqueira. A grande maioria delas têm como cenário São José do Calçado, pequena ci-dade do sul capixaba, terra natal dos autores. O título do livro, Olhos que falam, surgiu em um momento sublime da vida: a morte! O meu tio Herculano estava próximo de vivenciar esse momento quando fui visitá-lo no hospital. Seu corpo estava debilitado e a voz não existia mais! A nossa comunicação se deu por meio dos olhos, dos seus lin-dos olhos, de cor verde misturada com azul.
Assim como eu, tio Herculano recebeu toda a sua formação profissional ligada ao positivismo. Além da carreira militar, na Aeronáutica, dominava a matemática e a físi-ca, pois se formara em Engenharia pelo ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), uma instituição de excelência na área das Exatas. No entanto, num cantinho escondido da alma, guardava o gosto pelas artes, principalmente literatura, talvez por influência da minha mãe Nádia, sua irmã: na adolescência ele morou com meus pais na Fazenda Velha e mamãe o incentivava a ler e escrever.
Na época que eu mantinha o site O broinha, uma revista online que criei para retratar a história de São Jose do Calçado – ES, contada por seus filhos que escreviam deliciosas histórias sobre a cidade e sua gente, e tio Herculano, sob o pseudônimo de João Hertesi, foi um dos colaboradores mais assíduos da revista. Os seus textos, deliciosos e irônicos, lembram Machado de Assis, de quem era admirador e leitor voraz. Minha intenção era publicarmos juntos um livro de crônicas que contasse um pouco das nossas histórias familiares, entrelaçadas com as de São José do Calçado. Mas o projeto não vingou! Ele não gostava muito de se expor: dizia que a sua escrita não despertava o interesse de ninguém.
Quando publiquei meu primeiro livro de crônicas, Nas curvas do tempo, acreditei que seria uma oportunidade de motivá-lo a publicarmos juntos o nosso livro, mas, infelizmente, ele faleceu poucos dias antes do lançamento. Agora resolvi resgatar as crônicas que ele publicou em O broinha, juntar com outras crônicas que escrevi e publicar este livro. Minha intenção, além de homenageá-lo, é deixar registrados os seus escritos que contam um pouco da história da nossa família e da cidade de São José do Calçado, microcosmo de muitas cidades do interior do Brasil.