A nossa jornada pela vida é feita de encontros e de desencontros de almas. Algumas nada têm em comum com o que pensamos ou sentimos, e o melhor é deixar para lá, para não absorvermos os sentimentos ruins que transmitem. Outras, ao contrário, nasceram para preencher os nossos vazios: de desejos, de amor, de amizade e de sabedoria.
Recebi a benção de conviver com muitas almas que fazem da minha vida uma delícia de viver. Uma dessas almas, que agora está se preparando para ir viver no infinito, é do meu tio Herculano. Assim falei dele em meu livro “nas curvas do tempo”:
“O tio Herculano, o mais velho da segunda geração do meu avô, tenho com ele uma relação muito boa, pois uma de suas características marcantes é o saudosismo, que é também a minha. Dizem que até parecemos fisicamente. É um contador de histórias dos bons, sabe tudo sobre a história da família. Adoro escutar suas lembranças… São fontes de inspiração e pesquisa.”
Pois é! Ontem fui vê-lo. Aquele homem, “bonito da porra”, deitado em uma cama de hospital, conversou comigo por meio dos seus olhos da cor verde misturada com azul, o seu cartão de visitas. Nos poucos segundos que olhei direto para os seus olhos, senti a força da sua alma, que ajudou a preencher em minha alma alguns espaços vazios de sabedoria.
Ao sair do hospital, a minha alma se expandiu, abrindo mais um espaço vazio, o da saudade. Hoje, 21/10/2019, os olhos que falam cerraram-se para sempre.
Oscar Rezende
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