O mistério de Mary Help

Por que será que aquela alma triste pertencente a um corpo jovem, maltratado pelo sol e por uma alimentação deficiente, carregava tanto amor? E que amor era esse que não exigia nada em troca, que encontrou no silêncio as respostas para os seus desejos?

Essa era Mary Help, uma jovem que veio da roça para a cidade. Sua obrigação durante o dia era cuidar das crianças da classe média, culta e moderna, mas que adora explorar os serviços mal remunerado daqueles que são filhos da pobreza. Durante a noite Mary Help cuidava dos estudantes, na bagunça das suas  repúblicas, dando-lhes amor e carinho, abrindo as pernas para recebê-los em seu ventre e deixá-los com os hormônios adormecidos por algumas horas. Não importava quantos fossem, lá estava Mary Help, em seu silêncio, dando tudo de si para que aqueles jovens pudessem saciar os seus insaciáveis desejos, que na maioria das vezes eram resolvidos com as próprias mãos, limpas e perfeitas, cuja única marca de trabalho era uma eventual mancha de tinta de caneta.

Que mistério é esse que carrega Mary Help? De que barro fui esculpida que endureceu tanto o seu corpo,  que aprisionou a  sua alma e não a deixou sonhar?  São muitas as “Mary Help”, criadas na pobreza da roça, e levadas para morar na cidade, vivendo em quartinhos escuros e  mal ventilados, comendo comida fria, trabalhando de domingo a domingo, e cuja diversão é assistir as “Selva de Pedra” que passam na televisão. Será que foram criadas para servir os estudantes?  Será que os estudantes libertam as suas almas? Não sei! Só sei que conheci Mary Help, e tentei falar com ela. Como resposta recebi um lacônico:  sou da roça,  do interior da cidade de Teixeiras – MG.

São muitas as “Mary Help” que o Brasil vem produzindo em  sua história…

Oscar Rezende

Vitória, outubro de 2019

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