Ando por esse mundo há tempos, e espero continuar por alguns anos ainda nessa jornada. Por força da profissão convivi com muita gente. Foram poucas com as quais a minha alma não teve empatia. É assim a vida de professor! E, quando isso acontece, a gente tem que contar muito para os males espantar!
Tive um Diretor, o Professor Jafar Untar, quando ainda era estudante de matemática e fui monitor do Colégio Universitário da UFV, COLUNI, que uma vez me disse:
— Meu jovem, quando você manda um aluno(a) para fora da sala de aula você perdeu a razão. Conte até dez, e se preciso for, conte até cem, mas mantenha a sobriedade.
Já perdi a razão, pois essa regra nem sempre foi possível de ser cumprida, sou humano, às vezes deixei de lado o cérebro e pensei com o fígado, rodando a baiana para um descarrego da alma. Mas, o conselho do velho Diretor, é o que me norteia na vida profissional e privada.
Nunca fui um professor conselheiro, aquele que ajuda os alunos a compreenderem às dores e alegrias da alma; o que sempre procurei foi contribuir com desenvolvimento do seu raciocínio lógico e a terem um olhar crítico em relação à realidade que os cercam. Procurei tratar os alunos com o respeito que são merecedores, nunca usei o poder de professor para humilhar quem quer que seja. Como é natural, não fui unanimidade, e em alguns casos fui contestado. Quando as condições adversas se faziam presente, com a discordância de um aluno a respeito de uma posição ideológica, procurei ouvi-lo e deixar que se expressasse livremente, mesmo nas raras situações em que ele não se expressou com cordialidade! Aí, contei, para os males espantar.
E o que tudo isso que escrevi tem a ver com a realidade de hoje? É que nos tempos atuais, em que as redes sociais dão voz a quem quiser, o que é muito bom, você leva e dá chute nas canelas, então, para uma boa convivência, vale a máxima: quem conta seus males espanta!
Oscar Rezende
Vitória, novembro de 2019
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