Nos dicionários de significados espalhados pelo Google retirei duas definições:
Ideologia: é um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas ou visões de mundo de um indivíduo ou de determinado grupo, orientado para suas ações sociais e políticas.
Corrupção: é o efeito ou ato de corromper alguém ou algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos.
Em geral não gosto de escrever sobre corrupção para não ser panfletário, pois entendo que ela é inerente aos sistemas políticos e econômicos: capitalismo, comunismo, socialismo, ditaduras, e por aí vai… O homem, o poder e o dinheiro são adubos no terreno em que floresce a tal corrupção, e ela está presente em todas as “ditas” sociedades. Quanto a forma de combatê-la a que está em moda no Brasil é a punição, que não acredito na sua eficiência. Em geral a punição está carregada de ideologias políticas, e é seletiva ao punir esse ou aquele grupo político. O único método que considero possível para mitigar a corrupção é a educação familiar e formal, sendo objeto de estudo nos ambientes escolares.
Baseado no título dessa crônica e nas definições de ideologia e corrupção, criei uma categoria para classificar a posição política e social de alguns brasileiros, que chamarei de “ideólogos da corrupção”. Os pertencentes à essa categoria estão na interseção das diversas posições políticas: da extrema direta à extrema esquerda. No entanto, são predominantes nos grupos que vão da extrema direita ao centro.
Uma das características dos ideólogos da corrupção é a de se colocarem na posição de isenção, estando acima do bem ou do mal (o mal e o bem podem ser tanto de esquerda quanto de direita, a gosto do freguês). Eles veem o estado e as suas representações políticas como uma entidade corrupta, mas, em geral, se beneficiam desse mesmo estado e vivem próximos dos políticos que genericamente chamam de corruptos. Se dizem defensores da “lei” e valorizam a prisão como instrumento de combate a corrupção, desde que não atinja um dos seus, é claro!
Os ideólogos da corrupção, encarnados em Carlos Lacerda, combateram a corrupção nos governos de Getúlio e Juscelino, entregando o Brasil nas mãos de Jânio Quadros, e em seguida, nas garras da ditadura militar, mas não deu certo! Nem bem terminou o período da ditadura eles novamente colocaram o pescoço para fora, tendo agora como adorno o governo Collor, mais uma vez não deu certo. No governo do “príncipe” FHC, um dos maiores representantes da categoria, eles passaram por um período de amnésia, esquecendo da ordem que os aproxima: o mal do Brasil é a corrupção!
A amnésia durou pouco… Durante os governos Lula e Dilma eles voltaram com todo vigor. Agora nos entregaram, de bandeja, nas garras da besta, que é o governo Bolsonaro. E assim caminha o pobre Brasil…
Oscar Rezende
Vitória, novembro de 2019
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