Sou de esquerda

Inicialmente gostaria de fazer algumas considerações: ser de esquerda, de centro ou de direita não significa ser inteligente ou burro, corrupto ou honesto, ser cidadão de bem ou não. Essas questões são de caráter, e não ideológicas.

Nasci de uma família conservadora, de direita em relação ao pensamento político ideológico. Desde os tempos do meu bisavô Pedro Nolasco Vieira de Rezende, aquele da estátua na praça de Calçado, que foi um dos chefes políticos da região, que a família se envolve em política. No meu caso, a primeira participação que me lembro foi na eleição de 1960. Gostava de ganhar os broches dos candidatos à presidente: a vassourinha do Jânio Quadros e a espada do General Lot. Não me lembro quem a família apoiava, mas, provavelmente, Jânio Quadros, pois eram da UDN, ou no máximo PSD, PTB jamais.

Logo em seguida veio a “Revolução” de 1964, foi assim que me ensinaram. Até hoje sou pego em ato falho, falando revolução. Os livros de história que estudei, nos meus primeiros anos de escola, foram de doutrinação ideológica de direita, imposta pelo regime militar. Esquerda era o comunismo, regime político em que as crianças eram retiradas dos pais levadas para locais de doutrinação. Tanto que os meus primeiros votos foram na ARENA, partido que abarcava o pensamento político de centro à extrema direita, criado para dar sustentação à ditadura militar.

 Mas, o que deu errado comigo, que não professo a ideologia política em que fui “doutrinado”?  A resposta está na forma como enxergo o mundo. Sempre fui muito reflexivo e introspectivo, não sigo o senso comum, e em muitas situações, mesmo sem muito alarde, combato os pensamentos liberais.

Quando fui para a Universidade, em Viçosa, vivíamos em plena ditadura militar e, já se iniciava no meio estudantil, uma certa contestação ao regime. Eu assistia, meio que de longe, as discussões dos colegas engajados nos movimentos políticos. Era presença constante nos debates, sem me manifestar. Aos poucos, fui me identificando com os pensamentos, mais à esquerda, que começaram a dar norte a minha postura política e ideológica.

No início dos anos de 1980 o PT foi criando, eu já havia me formado e começava a minha carreira de professor do COLUNI, na UFV. Não aderi logo de início ao partido, como fizeram   muitos contemporâneos e conterrâneos. Naquela época o partido virou moda entre os jovens! Para alguns foi só modismo mesmo, e nada tinha a ver com o pensamento ideológico….  Com o tempo eles caminharam na direção contraia, foram se aproximando do pensamento conservador e liberal de direita, e em alguns casos de extrema direita.

Aos poucos, fui observando os movimentos do partido e me identificando com o que ele pregava: uma luta de classe, sem violência, mas pela organização dos trabalhadores, nos sindicatos; e dos moradores das periferias, com ajuda das pastorais ligadas à igreja católica. O partido sempre pregou que é possível combater os efeitos colaterais da desigualdade social, causa da pobreza e violência que vivemos, por meio da democracia, organizando e convencendo a sociedade, que esse pensamento busca o bem comum e a igualdade de direitos, sem negar às diferenças. Infelizmente, nos tempos atuais pensar assim está fora de moda no Brasil

Hoje, continuo com a minha militância política, participando de grupos de análise de conjuntura, acompanhado de pessoas com a mesma visão política e de mundo. Quanto    ao Partido dos Trabalhadores, continuo acreditando na maioria das suas teses, pois ele representa o instrumento político com o qual dou vazão a minha ideologia política de esquerda.

Sou de esquerda….

Oscar Rezende

Vitória, dezembro de 2019

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