Sabe aquelas pessoas miseráveis, sujas, feias, algumas “noiadas”, em geral negras, que ficam nas ruas, nas portas dos supermercados e padarias, pedindo esmolas e amolando os transeuntes? Pois é! O que pensamos sobre elas?
Uma parte da população brasileira, que normalmente é adepta do pensamento liberal de direita, e que está em moda no Brasil, vê essa gente como vagabundos, uma sub-raça que não quer trabalhar e que não aproveitam as oportunidades. Acreditam que eles estão nessa situação por não se esforçarem, e é mais fácil viver assim do que ir à busca de um trabalho. Esses que não se sensibilizam com a pobreza, antes não se expunham, mas hoje, depois do “liberou geral”, não fazem nenhuma questão de se esconder: usam as redes sociais para divulgarem, sem nenhum pudor, o que pensam.
Tem outro grupo, com ideologia mais à esquerda, que entende que essa gente é resultado da desigualdade social do país (no que acredito). Fazem bons diagnósticos, são bons formuladores de políticas públicas, mas, em geral, não são eficientes em executá-las
Existe um outro grupo, os de bom coração. Olham para essas pessoas, como se fossem obras do destino, vivem nessa situação porque assim estava escrito. Manifestam pena delas, dão esmolas, vão a igreja rezar pelos pobres, mas não passam disso! Muitas vezes estão mais preocupados com os animas abandonados do que com as pessoas abandonadas.
Ah! Não podemos nos esquecer daqueles que fazem parte de um apêndice da direita brasileira! Os que gostariam de fazer uma limpeza étnica no país. Enfiar essa gente miserável na cadeia, como bandidos, ou até mesmo, eliminá-las fisicamente.
Com esse texto, não estou querendo criar caixinhas para classificar as pessoas, pois individualmente tem gente que se encaixa em mais de um desses perfis. O que desejo, nessa crônica, é dar uma opinião, baseada nas minhas experiencias de vida, e de como acredito que as pessoas pensam sobre um tema que considero ser o maior flagelo do nosso país, a desigualdade social. Nos brasileiros devíamos nos envergonhar da herança que estamos deixando. Mas, infelizmente, a mitigação desse flagelo que começou, timidamente, com a constituição de 1988, e veio avançando até 2015, está ruindo, e a maioria não está nem aí! A solidariedade humana e a cidadania, que deveriam unir a nação, foram parar na lata do lixo, e tenho a impressão de que já apodreceram.
Oscar Rezende
Vitória, janeiro de 2020
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