Há algum tempo escrevi aqui sobre o homem, em que enfatizava que ele se constitui de dois “eus”. Hoje retorno a esse tema. Filosoficamente, se diz que cada ser humano é único, ou seja, não existem dois iguais. Eu até concordo com isso! Mas, admito que esse único é controverso. Na verdade, o homem é formado por dois “únicos”: como ele se vê e como os outros o rotulam.
A toda hora somos rotulados e rotulamos: gordo, bonito, simpático, inteligente, socialistas, comunista, liberal, negro, pobre, burro… e assim vai. Essa relação entre os rótulos, pode nos levar a um estado mental em que corremos o risco nos perdermos, entre o que está dentro de nós e o que vem de fora! Acredito, que se essa confusão não for bem trabalhada, ficamos expostos à depressão, uma doença que atormenta o homem moderno. Ainda mais agora, em que as comunicações entre os humanos estão expostas à todo tipo de rótulo.
Como exemplo, temos as redes sociais, que funcionam assim: alguém posta um texto, uma foto, um vídeo, e o outro vê o que ele postou. E, a partir da sua interpretação, rotula àquele que postou; o que recebeu o rótulo também rotula o que o rotulou. O que acontece então? Duas hipóteses: se há uma concordância dos rótulos a comunicação se dá, cria-se, então, a tal bolha, em que cada um só escuta aquele que fala a sua verdade. Mas, se não há concordância, a discussão entra no campo minado dos chutes na canela, onde não ocorre um diálogo regido pelo cérebro, mas, pelo fígado.
Está claro que esse “caos” na comunicação veio para ficar, e, provavelmente, caminha numa direção que ainda nem sabemos! Então, o que nos resta? Tenho uma sugestão: lembrar que ainda somos humanos, e cultivarmos a mais antiga prática da comunicação humana… a velha e boa educação.
Oscar Rezende
Vitória, fevereiro de 2020
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