Por um triz

Essa expressão é muito antiga no nosso cotidiano, e pode ser utilizada em vários contextos:  uma vitória, uma derrota, um concurso, e, é claro, no mais   dramático… o que se trata da vida. Quem nunca escutou essa frase: “Não perdeu a vida por um triz”? Pois é meus amigos, quantos “por um triz” vale uma vida?

Normalmente não fico me questionando sobre isso, pois se tem uma coisa em que   acredito é que não vale a pena “encucar” com o fim da vida, pois é um mistério que ainda não consegui decifrar. E como se diz no popular: “se não tem solução, solucionado está”.

Eu já gastei três “por um triz”: as duas primeiras aconteceram em viagens de carro, no início da década passada, e a terceira,  recentemente. O meu carro era um Santana, um carro grande e confortável, estilo tiozão. Um sobrinho, para me sacanear, dizia que o vidro da frente do Santana já vinha de fábrica com “grau”.

 A primeira vez aconteceu quando voltávamos de Salvador. No trecho entre São Mateus e Linhares, fui ultrapassar uma carreata carregada de pequenas toras de eucalipto, para serem processadas na Aracruz Celulose. Quando estava na metade da carroceira da carreta, uma das toras despencou lá de cima, e, com uma precisão milimétrica, retirou a calota da roda dianteira do Santana, não causando nenhuma avaria no veículo.  “Por um triz “não bateu no capô do carro e entrou pelo vidro dianteiro. Considerando a velocidade do carro e o peso da tora, se o pior tivesse acontecido nenhum dos passageiros teria sobrevivido.

A segunda vez aconteceu com o mesmo carro: voltávamos de Calçado, onde uma tia havia comemorado o seu   aniversário de oitenta anos. A viagem estava tranquila, caia uma chuva fina e o asfalto estava molhado. Logo após o município de Iconha, entrei forte  em uma curva, numa velocidade além da recomenda, quando percebi a merda que havia feito, enfiei o pé no freio; não deu outra! O carro rodou várias vezes, e se dirigiu de ré, até bater a roda traseira no meio fio, que separava a estrada de uma perambeira, e parar. “Por um Triz”, não caímos. Pela altura do barranco, o acidente poderia nos causar muitos ferimentos e, até mesmo, a morte. Ah! Antes que me esqueça! A graça dessa história se deve ao meu cunhado Carioca (José Rubens), que estava sentado na cadeira atrás de mim, lendo  um jornal,  quando tudo aconteceu.  Assim que o carro parou, após rodarmos várias vezes, ele permaneceu sentado, e como se nada tivesse acontecido, abaixou o jornal, virou-se  para mim, e disse um sonoro: ” puta que pariu Caíse”.

A terceira vez aconteceu há uma semana: eu fazia uma caminhada, no final da tarde,  no Calçadão de Camburi. No momento em que atravessava, na faixa de pedestre, a ciclovia, para   em seguida atravessar a avenida em frente ao Cube do Oficiais, um ciclista, em alta velocidade, e desrespeitando todos as normas de trânsito, “por um triz” não me atropelou.  Com velocidade que ele imprimia à bicicleta, se tivesse me atropelado eu não teria salvação. Caso não morresse pela pancada da bicicleta, com o impacto eu seria lançado no meio da avenida, e aí, seria uma presa fácil para os carros.

Pois é meus amigos! Como não sei se ainda tenho estoques de “por um triz” para gastar, o jeito e me apegar a um trechinho da música do Zeca Pagodinho:

Deixa a vida me levar (vida leva eu!)
Deixa a vida me levar (vida leva eu!)
Deixa a vida me levar…

Oscar Rezende

Vitória, fevereiro de 2020

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