Sempre fui um apaixonado por futebol, nem tanto pelo esporte, mas, pelo Vasco. Sou um torcedor fiel, assisto todos os jogos e sou sócio do clube, só não participo mais pelas dificuldades imposta pela distância física que me separa da sede do Clube, que fica no Rio de Janeiro.
Na juventude, um dos meus sonhos profissionais era ser reporte de campo, como Loureiro Neto, reporte da rádio globo, que além da profissão ainda era designado pela emissora para cobrir o Vasco da Gama, seu time de coração. Nunca sonhei em ser jogador de futebol, pois não consegui ultrapassar o limite da mediocridade no trato com a bola. No entanto, tive grandes ídolos como jogador: o principal, é claro, Roberto Dinamite, pois não assisti os jogos dos grandes times do Vasco, que tinham como maior ídolo, Ademir Menezes. Só para refrescar a memória dos apreciadores do esporte: na década de 1940 e de 1950, o Vasco foi o grande time brasileiro. O único time em que o famoso e polêmico jogador, Heleno de Freitas, grande ídolo do Botafogo, foi campeão carioca.
Na década de 1960, os grandes times brasileiros foram o Santos e o Botafogo, de Pelé e de Garrincha. Como torcedor, tenho uma boa relação com o Botafogo, pois meu pai era botafoguense, e, a boa prática nos ensina que devemos tratar bem o nosso maior freguês.
Não há o que discutir! Garrincha foi um fenômeno do futebol brasileiro, um raro jogador de futebol e um homem humilde, que infelizmente teve uma vida conturbada fora dos campos de futebol. Na época em que jogava, escutávamos os jogos pelo rádio. Lembro-me de dois jogos em que ele esteve presente: o primeiro foi na copa do mundo de 1966, quando o Brasil ganhou da Bulgária por 2 a 0. Um dos gols foi do Garrincha, de falta; o outro jogo foi quando Roberto Dinamite começou sua carreira no Vasco, no início de 1970. O jogo era Vasco x Olaria, e Roberto fez os dois gols da vitória do Vasco. Garrincha, em final de carreira, jogava no Olaria nessa época.
O meu encontro com Garrincha aconteceu em 1974, quando fazia universidade em Viçosa, MG. Nessa época o jogador já estava decadente e consumido pelo alcoolismo. Para se sustentar, ele jogava partidas comemorativas por times do interior do Brasil. Na festa do município ele foi jogar pelo Atlético de Viçosa, numa partida contra o América Mineiro, e ficou hospedado num hotel em Viçosa. Antes do jogo, eu e o primo José Tarcísio (Tarcisinho do Joaquinzinho) resolvemos ir até o hotel para tentar falar com o jogador. Chagamos lá, e na maior cara de pau, pedimos para falar com ele; o recepcionista, com muita má vontade, ligou para o quarto. Para a nossa surpresa, ele concordou em falar conosco. Quando aquele homem, que era um ícone do futebol brasileiro, apareceu no saguão do Hotel, levei um susto! Ele não era nada daquilo que eu imaginava… era de carne e osso, e de uma simplicidade e humildade, que me comovi. Conversamos por quase uma hora… falou da sua carreira de jogador, e contou várias histórias dos bastidores do futebol carioca. Saí dali emocionado, e com uma ponta de tristeza no coração, pois me passou a impressão de um homem amargurado.
Fomos para o jogo! O que assisti me deixou ainda mais triste. Ele era um homem cansado, e as pernas mal conseguiam sustentar o seu corpo para chutar uma bola, às poucas vezes que conseguiu pegar na bola foi por solidariedade dos jogadores do América, que na época tinha um excelente time. Eles deixavam o ídolo dominar bola e tentar uma jogada, mas, infelizmente, não conseguia.
Um jogo de futebol é sempre uma festa, mas, aquele jogo não foi, pois assistia a decadência de um jogador…, mas, para mim, naquele dia nasceu um mito. Viva Garrincha!
Oscar Rezende
Vitória, fevereiro de 2020
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