Nessas andanças que faço pelo Facebook, catando postagens que acho interessante, me deparei com uma do Carlos Rezende, em que ele descreve o porquê de não ter orgulho de ser homem, gostei da abordagem que ele fez. Afinal, ninguém deve se orgulhar de algo que lhe foi concedido pela aleatoriedade, e não uma conquista sua. Somos do sexo masculino porque somos. Só que vou navegar por outras mares, e sem querer polemizar com post do amigo, que, como já disse, gostei.
Além da questão do sexo existe um outro homem dentro daquele que carrega a genitália masculina, o ser sensível, que não deve ter sexo e nem gênero. Alias, o abraço de Dráuzio Varela expôs a alma desse homem.
Na minha experiência pessoal tenho a marca do convívio com as mulheres: minha avó, minha mãe, cinco irmãs, cinco cunhadas, a esposa, a filha, as amigas, além das mulheres do trabalho, com as quais convivi por mais de quarenta anos. Se fizer uma coletada de dados estatísticos, a maioria das minhas relações pessoais são com as mulheres.
Quando escuto a expressão: é coisa de mulher, tento entender qual o significado que se quer dar a ela. Numa análise bem superficial, ela está relacionada a uma visão mais detalhista das mulheres, o que realmente parece existir. Eu mesmo sou vítima constante dela: tento enganar a minha esposa nos pequenos afazeres domésticos que “enjambro”, mas não tem jeito, parece que ela tem uns cem olhos, enxerga todos os mal feitos, o que me faz gastar um arsenal de desculpas. Tenho um amigo que diz que um dos seus grandes prazeres e levar a companheira ao aeroporto para viajar, o que concordo, pois não tem nada melhor que entrar dentro de casa, jogar o sapato para alto e deixar que fique onde caiu, mesmo que seja em cima da mesa de jantar, é uma libertação!
Deixando a brincadeira de lado, tenho comigo que essa expressão é utilizada por nós homens, para reforçar o preconceito contra a mulher, impondo a ela uma posição de inferioridade nas relações sociais, como se as suas demandas fossem menos importantes. Como disse anteriormente, pela convivência que tenho com as mulheres, acho essa expressão de muito mal gosto. Com as mulheres da minha vida aprendi muito mais do que com os homens da minha vida. O sexo é apenas uma condição natural externa, o conhecimento, a sabedoria, a solidariedade e o amor, não têm sexo.
Aliás, a classificação masculino e feminino foi feita pelo homem… No plano espiritual só temos uma: a alma humana. Viva o dia da alma humana, que será comemorada no dia oito de março, o nosso dia.
Oscar Rezende
Vitória, março de 2020
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