Esse título, sem esperança, não se refere à minha vida privada, que compartilho com familiares e amigos. As flores que plantei nesse solo, continuarei colhendo, até os últimos dias da minha vida…Elas foram adubadas com a força do amor que compartilhamos. Mas, a minha vida institucional, a vida de cidadão de um país, essa sim, está me deixando sem esperanças.
A cada dia vejo o país se deteriorando sob o domínio de uma ideologia que acreditava não prosperar. Apesar da injustiça social e do patrimonialismo estatal, raízes da nossa corrupção, que nos acompanha há séculos; não pensei que seriam capazes de roubar do povo brasileiro a sua capacidade criativa, a sua religiosidade e a sua cordialidade. Infelizmente fui acometido pela Síndrome de Poliana, acreditei que assim era o povo brasileiro!
Antes de perder as esperanças, eu vivi um tempo de esperanças! Na minha juventude, principalmente no tempo em que fui estudante universitário, as minhas esperanças eram embaladas por maravilhosos versos das canções da época, que me faziam sonhar com o amor e com um país melhor, como esses a seguir:
Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais
Ivan Lins e Vitor Martins
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar.
Chico Buarque
Agora, no outono da minha vida, a crença no jardim que plantamos com amor na nossa vida privada, continuará dando flores, e cada vez mais lindas, pois aqueles que estão ao meu lado, nessa jornada da vida, são pessoas que sabem cultivar flores. No entanto, o que assisti naquela reunião ministerial, em que estava o poder da nação, foi um roubo do meu Brasil. Que não sei se será devolvido algum dia! Eu sonhei tanto com aquele Brasil, que até fiz meus filhos acreditarem nele.
Pois é amigos… É duro admitir, mas perdi a esperança na minha esperança! Agora, vou colher as flores do meu Jardim, praticando o amor com os familiares e amigos que escolhi para caminhar, quem sabe eu volte a encontrar novas esperanças que me tragam o país de volta!
Oscar Rezende
Buenos Aires, maio de 2020
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