Hoje é aniversário do amigo Joel Raggi. Quando jovem ainda, convivi muito com ele! Era amigo de meu irmão Paulo (Piula). Apesar da pequena diferença de gerações, quando eu voltada de férias da universidade, em Viçosa, era com a turma dele que que eu passava os meus dias de tédio em Calçado: jogando bola no campinho da casa da dona Ivanilde ou bocha na casa do seu pai, o inesquecível Carioca. Após muitos anos, voltei a conviver com o Joel, aqui em Vitória. Para cumprimentá-lo nesse dia, escrevi uma crônica em que utilizo alguns ditados populares para falar um pouco do Joel que eu conheço.
O peralta Joel
Se quer colher por poucos dias plante flores, se quer colher por muitos anos plante árvores. E assim plantou-se uma árvore: a semente dos Teixeira e dos Gomes foi enxertada com um pedacinho de semente de terras estrangeira, lá da Itália, a dos Raggi, e uma árvore frondosa brotou no solo calçadense.
Como a união faz a força, o galho de Carioca juntou-se ao galho de Neli, e danaram a produzir belos frutos. Como filho de peixe, peixinho é; a fruta não cai longe do pé e nem tudo que reluz é ouro, mas pode ser diamante; produziu essa árvore um fruto, que ainda verde já era brilhante, o peralta Joel.
Dizem que Deus escreve o certo por linhas tortas, e quem não tem cão caça com gatos, o menino peralta, que de bola de pé era uma negação, especializou-se em bola de mão. Como em terra de cego quem tem um olho é rei, para vencê-lo na bocha da Casa da Rua Quinze, tinha que suar. Nem Piula, nem Sofia, nem Ideraldo, nem Paulo Augusto, nem Claudinho, nem eu e nem Danilo éramos páreo para o Joel! E não adiantava chorar pelo leite derramado, ele não perdoava!
Como quem tem boca vai a Roma, e devagar se vai ao longe, o peralta Joel abandonou as montanhas calçadenses e partiu para a cidade grande. Cresceu, virou homem e continuou sua caminhada pela vida, sempre cantando para os seus males espantar.
Não o vi durante anos… Quando nos reencontramos, fiquei a observá-lo, para entender quais mudanças aconteceram com aquele menino durante esse tempo. Pato novo não dá mergulho fundo, foi assim que Joel chegou…. bem devagarinho!
Para um bom entendedor, bastam poucos ditados para definir Joel:
De médico e de louco todos têm um pouco;
Quem corre alcança;
É dando que se recebe;
Quem canta seus males espanta;
Deus ajuda quem cedo madruga;
A água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Como uma andorinha só não faz verão. Se um dia Joel voltar ao lugar onde nasceu… virar-se em direção ao leste, onde a lua nasce, e gritar bem alto:
“Meus amigos, onde estão vocês?”
Um eco de muitas e muitas vozes, vindo lá da Pedra do Jaspe, onde o sol se esconde, irá responder:
“Estamos aqui… Joel”
É como vejo o peralta Joel!
Oscar Rezende
Vitória, agosto de 2020
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