As pétalas do girassol

O girassol é uma das flores mais fascinante e misteriosa da natureza. Ela vive acompanhando o sol, como se estivesse enamorada pelo astro rei.  Além de sua beleza e  mistério, a flor tem também um valor comercial, as suas sementes são utilizadas na fabricação de um tipo de óleo  muito comum em nossa culinária, ou seja, é uma flor que alimenta a vida.

Hoje vou contar para vocês a história de um girassol, não de um girassol qualquer, mas de um tipo   muito especial: o girassol de doze pétalas. Às pétalas   desse girassol batizei com nomes próprios. Cada   uma, com o seu jeito de ser, tem uma    singela função: a de   harmonizar o perfume da flor.

A pétala Danilo traz o cheiro da sensibilidade, que é da natureza de uma flor. Não pode haver no mundo uma flor que não seja sensível! A pétala Janinha cheira a racionalidade cartesiana, que nutri o corpo com as suas poções mágicas, para que a flor   liberte a sua   alma. Amélia, é a pétala da ilusão… Uma flor não pode viver sem o cheiro da ilusão, pois é da  sua essência. E a arte?  Uma flor é pura arte, e quem traz o cheiro da arte é a pétala Toninha, que com seu cheiro, pinta e borda as bordas da flor.

Uma flor, para atrair, precisa ser viçosa e cheia de vida, com cheiro de juventude. Esse cheiro vem de duas pétalas:  Andréia e Juninho. A pétala Andréia carrega no seu sorriso o cheiro da alegria, e a pétala Juninho, que  com o seu jeito de paz, traz o cheiro que irradia o frescor da flor.

Para aparar os espinhos que podem ferir  as mãos de quem toca essa flor, as pétalas Carlota e Bebel fazem o seu trabalho. A pétala Bebel traz o cheiro do bom humor e a pétala Carlota o da serenidade.  O que fortalece o caule de um girassol, vem de uma pétala que traz o cheiro do silêncio, é esse cheiro que emana a pétala Paulo Augusto, não o silêncio que incomoda, mas o silêncio de quem fala muito mais com olhos, para evitar as feridas da precipitação da voz.

A vida da flor necessita dos cheiros que não permitam   que o vento espalhe suas pétalas. A flor Vitor, cuida das racionalidades das pétalas, que precisam de um obrador que sabe pavimentar os sentimentos. E tem a pétala Wilton, a mais singela, que sem interferir em outros aromas, tem o cheiro da humildade, um toque especial no perfume da flor.

Ficou faltando ainda uma   pétala para ser encaixada nessa flor. Deixei-a por último de propósito, pois ela carrega um tanto de cheiros: alegria, sabedoria, sensibilidade, solidariedade e o mistério que tanto encanta a flor. Essa é a pétala Joel, que dá o toque final no perfume do girassol.

Essas doze pétalas (amigos) se reuniram e criaram um grupo que se chama “Grupo Girassóis”. O grupo acompanha o brilho do sol, absorve a sua luz, e sai pelo mundo aquecendo os amigos. Eu mesmo já senti o seu calor. No dia do meu  aniversário me fizeram uma homenagem inesquecível:   cantaram para mim uma música ( que está prometida para o lançamento do meu próximo livro), e, para completar, cada um recitou um trecho  do meu livro de crônicas (Nas Curvas do Tempo), que de alguma forma  tocou  a sua vida. Vocês já imaginaram o que representa isso para quem escreve? É uma sensação divina.   

Essa crônica é o que tenho para dizer o meu muito obrigado ao “Grupo Girassóis”

Oscar Rezende

Vitória, dezembro de 2020

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