Uma vida suave

A   vida é assim: uns chegam, outros se vão! Foi o divino quem determinou. Hoje, logo cedo, recebi a notícia da morte do meu primo Antônio Luiz, filho mais velho do tio Aristides.  Quando indaguei sobre o que aconteceu, o meu querido amigo Edson Lobo, assim me informou: “Ele estava bem. Tomou café da manhã, quando ia para o banho, sentiu um mal estar e finou-se suavemente”

Finou-se suavemente! Nada mais próprio para quem viveu suavemente a vida. Antônio Luiz era discreto, educado e muito agradável, um homem suave. Tenho ótimas lembranças dele, principalmente na minha adolescência. Foi ele quem me levou para conhecer o Rio de Janeiro, onde trabalhava.  Eu tinha nessa época treze anos. Embarcamos no ônibus da Empresa Brasil e partimos. Eu um garoto tímido e jeca, um puro representante da Fazenda Velha.   As únicas cidades “grandes”, que conhecia eram Cachoeiro do Itapemirim e Itaperuna.  Cachoeiro é considerada uma cidade grande, pois é capital secreta do mundo e Itaperuna é uma cidade grande, pois segundo um dos personagens mais importantes da nossa São José do Calçado, o Zé Luzia, quem a conhecia Itaperuna não era bobo.

Voltado ao suave primo e a minha viagem ao Rio. Viajei a noite inteira sem dormir, a cada parada do ônibus era uma novidade. Lembro-me dele sempre preocupado comigo, querendo saber se estava tudo bem. Quando chegamos ao Rio, me levou para sua casa, onde tomamos um banho e fomos passear. Caminhamos até o Maracanã, e depois fomos almoçar. Ao final da tarde me levou para a casa da Dinha (Corina), ao lado do estádio de São Januário, onde passei quinze agradáveis dias.

 Outra passagem da minha vida em que    Antônio Luiz foi personagem, foi na morte de meu pai. Ele, ao saber do acontecido, partiu do Rio, de madrugada, para chegar a tempo do enterro, mas só chegou no dia seguinte, o carro que dirigia captou. Por pouco não tivemos três tragédias familiar no mesmo dia:  além  da morte do papai, o primo Samuel  Barroso, ao saber da sua morte, teve um infarto, e também faleceu.   

Durante a jornada da vida que caminhamos juntos no tempo, tive sempre um carinho muito grande pelo suave primo. Mesmos não tendo muitas oportunidades de estarmos juntos, quando me encontrava com ele me sentia com a alma leve. A sua suavidade me fazia bem. Vá com Deus, suave primo!  

Oscar Rezende

Buenos Aires, fevereiro de 2021

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