Da gloria ao esquecimento

Há algum tempo procuro entender o percurso da família Rezende em Calçado, a minha família:  que foi   da gloria ao esquecimento. Acredito que esse fenômeno se repetiu em outras pequenas cidades do Brasil, quando as famílias que detinham o poder político e econômico no período do império, aos poucos foram   perdendo o seu prestígio com a chegada da    república, o êxodo rural e a modernização do país.

Chegou a Calçado, no final do século XIX, vindo de Minas Gerais, o Coronel Pedro Nolasco Vieira de Rezende (Pedro Vieira), que poucos calçadenses de hoje sabem quem foi. Provavelmente, a maioria só   sabe que é uma estátua na praça da cidade. Ele   se estabeleceu na Fazenda da Segunda, se tornando um dos maiores proprietário de terras e   produtor de café da região: tinha propriedades no município de Bom Jesus, São José do Calçado e Guaçuí. Meu pai contava que quando o avô morreu, em 1925, a sua fazenda produziu 40 mil arrobas de café…  provavelmente era muito, pois papai gabava desse fato.

Segundo aqueles que conheceram o Coronel Pedro Vieira, ele foi um homem de bons tratos, de grande coração, sempre pronto a servir quem o procurasse, e, para completar, um grande festeiro. Essas características pessoais e a sua condição econômica, fizeram com que se tronasse um dos maiores líderes políticos de Calçado. Iniciando, assim, o prestígio político dos Rezende no município.  

O Coronel Pedro Vieira   teve doze filhos, entre eles o Dr. Pedro Vieira Filho, o  político e empresário que mais contribui para o desenvolvimento do município de Calçado na primeira metade do Século XX. Eu costumo me referir a ele como o nosso “Barão de Mauá”.  Esse período foi o auge do prestígio econômico e político dos Rezende em Calçado. Mas, nos anos cinquenta do século passado, veio a derrocada econômica do Dr. Pedro Vieira Filho, devido a um empreendimento que não deu certo, a Usina São José. O prestígio dos Rezende ficou abalado.  Mesmo assim, com perda da   influência econômica da família, na política ainda permaneceu, sob a liderança de um dos netos do Coronel Pedro Vieira, Dr. Aristides Teixeira de Rezende (irmão de meu pai), um médico humanista e de grande prestígio na cidade.   

Com a morte do Coronel Pedro Vieira, em 1925, as suas terras foram divididas para os seus filhos, depois para os netos, e finalmente para os seus bisnetos, que herdaram  pequenas quantidades, que acabaram sendo vendidas, pois não eram viáveis   economicamente.

No final dos anos sessenta e início dos anos setenta os bisnetos do Coronel Pedro Vieira (em sua grande maioria) abandonaram Calçado para estudar ou procurar outras atividades que os permitissem ascender economicamente. Esse Êxodo foi pulverizando a família por diversas partes do Brasil e do mundo, restando hoje poucos Rezende em Calçado, se comparado com os que foram embora.

Com o tempo, o legado que a família deixou para o desenvolvimento da cidade, vai, aos poucos, sendo esquecido, e, a sua história se pulverizando pelo mundo.

Oscar Rezende

Vitória, fevereiro 2021

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