Tenho dúvidas se foi uma boa ideia do homem inventar a escala do tempo! O calendário comanda a nossa vida: o dia que nascemos, que amamos, que aposentamos, que morrermos… viver é ser escavo do tempo, e as datas exercem domínio sobre nós!
Era o entardecer de um dia do final do ano de 1980, eu estava na praça principal de Viçosa (MG) quando vi, em uma lanchonete, uma amiga de trabalho tomando um cafezinho. Resolvi ir até lá para cumprimentá-la, e tomar um cafezinho, para em seguida fumar um gostoso cigarro. Ao me aproximar, levei um susto: ela estava acompanhada por uma amiga. Os meus olhos já haviam sido apresentados àquela mulher, quando a vi, majestosamente, caminhando pelos gramados da UFV (Universidade Federal de Viçosa), onde ela estudava e eu trabalhava. A presença daquela linda mulher, de olhos negros e sorriso largo, realçado por um batom vermelho cobrindo os seus lábios carnosos, me endoidou: tirou o meu chão, levou embora a minha naturalidade, fiquei descontrolado, uma leve sensação de falta de ar fez o meu coração bater na garganta… não tive dúvidas, eram os primeiros sinais da paixão.
O tempo, muita saliva e deliciosos amassos se encarregaram do resto. Foi assim que surgiu o dia vinte sete de março em minha vida: a data de nascimento da minha amada e companheira Ana. Hoje, comemoramos juntos quarenta anos do dia vinte e sete de março.
Ana é uma mulher que ocupa, como ninguém, os espaços da casa, às vezes esconde um pouco da sua meiguice atrás da uma personalidade forte! Com o tempo, construímos um relacionamento sólido, que resistiu a alguns abalos, pois ela nunca teve dúvidas do que queria, e como queria, conduzir a sua vida e da nossa família.
Hoje, Ana entra no outono da vida. Continua transmitindo os seus valores e compromissos éticos para toda família, mas com uma nova compreensão que o tempo lhe trouxe: o entendimento das suas limitações para mudar o mundo e as pessoas; e a sua imensa capacidade de semear o amor que ilumina toda nossa família, que continua crescendo, agora com a presença de mais dois, os netos Manuela e Otto.
Nesse dia vinte e sete de março, eu, nossos filhos, genro, nora e netos desejamos a você Ana, muita paz e saúde, para que continue iluminar o nosso caminho com o seu brilho de mulher guerreira.
Com todo o meu amor…
Oscar Rezende
Buenos Aires, 27 de março de 2021
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