Os sonhos, assim como os pesadelos, são reflexos das nossas vidas aqui na terra, quando sonhamos entramos em transe, em um limiar entre dois mundos, o mundo real e o mundo do nosso subconsciente: que podemos desejar ou detestar, mas sem nenhum controle sobre eles. Acordar de um sonho pode ser um alívio ou uma frustração, dependendo da viagem que fizemos ao nosso subconsciente.
Essa noite eu tive um pesadelo. Sonhei que um asteroide se chocara com a terra, um inverno terrível havia mudado o rumo do tempo… A peste se abateu sobre a humanidade. Para me manter vivo, eu tive que fazer escolhas:
“Eu não podia visitar meus irmãos”;
“Eu não podia encontrar meus amigos para um bom papo, acompanhado por uma deliciosa cervejinha gelada”;
“Eu não podia ir ao cinema e nem torcer, na arquibancada, pelo meu Vasco”;
“Eu não podia abraçar os meus filhos e neta”;
“Eu não podia dar um colinho ao meu netinho ainda bebe. E só foi possível vê-lo, do outro lado de uma tela fria de um Smartphone”;
“Eu nunca mais poderia ver alguns amigos, pois sem mais nem menos começaram a morrer, dando a dimensão da minha insignificância diante do universo”.
No meu pesadelo a vida se transformou numa terrível tristezas.
De repente, o pesadelo virou sonho. Os primeiros raios do sol amarelo do outono brilharam no céu, trazendo o tempo de volta para o seu rumo:
“Eu podia ver, abraçar e conversar com quem quisesse”;
“Eu podia almoçar aos domingos com meus filhos e neta”;
“Eu podia colocar no colo e acariciar o rostinho, ainda frágil, do meu netinho”;
“Eu podia gritar de alegria com os gols do meu Vasco, xingar e me aborrecer com as suas derrotas”.
Ou seja, a minha vida voltou a ter luz!
Viajando por entre as nuvens macias do meu sonho, escutei, ao longe, os primeiros cantos de um galo. Um galo azarento… que levou junto com o seu canto de agonia o meu sonho, e me trouxe de volta ao pesadelo.
Oscar Rezende
Buenos Aires, abril de 2021
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