Vocês já observaram como as palavras sim e não são importantes em nossas vidas? O sim é simpático, é bonito, é gostoso de falar: relaxa os músculos faciais e vem acompanhado de um leve sorriso. Já o não é carrancudo, é dito com lábios contraídos e uma expressão fechada no rosto.
Na infância não tem nada mais gostoso do que escutar um sim:
— Mãe, posso dormir na casa do meu amigo?
— Posso parar de estudar e ir jogar bola?
— Pai, me dá um dinheiro?
— Pai, me leva ao circo?
Na adolescência! O sim soa libertador:
— Posso te dar um beijo?
— Quer dançar comigo?
— Quer namorar comigo?
— Posso botar a mão aí nesse lugar?
Essa última pergunta até se admite uma controvérsia: um não com jeitinho de sim,… uma delícia. O não é tão chato que alguns pais para educarem seus filhos precisam de livros de autoajuda e psicólogos para ensiná-los a dizer não, quando na realidade o que desejam é dizer sim, mas, infelizmente ou felizmente, somos “racionais”, e precisamos dizer o não.
Nós, os humanos, também carregamos em nós essas duas essências: sim e não. E escolhemos uma dessas para nos conduzir pela vida. A essência “sim” é transformadora! Olhar o mundo pela essência “sim” ilumina a mente, e nos permite viver num mundo em movimento, fazendo do tempo uma brisa que sopra o rosto e construindo rugas que embelezam a alma. A essência “não” trava as perspectivas! Transforma o nosso mundo em cor cinza, chato e rancoroso, fazendo do tempo uma ventania que rasga o rosto e deixando rugas que tiram o brilho da alma.
Na vida convivemos com essas duas essências… Em todas as estações do tempo elas nos fazem companhia. Eu observo essas essências naqueles com os quais convivo. A medida da presença delas se dá pelas sensações que sinto quando se aproximam. O sim chega suave, carregando a paz e harmonia, me deixando a vontade para ser quem sou, e tem o poder abrir as portas da minha alma. O não, ao contrário, chega arrombando a minha paz, enche o ambiente de sensações frias, que de imediato fecham as portas da minha alma, tornando-a amarga e triste.
Acho que tenho sorte na minha vida, pois ao meu lado estão aqueles que carregam a essência “sim”. Os que carregam a essência “não’, são passageiros, deixo que partam em busca de outros caminhos e a convivência se dá apenas pelas formalidades da boa educação.
Oscar Rezende
Buenos Aires, outono de 2021
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