A evolução

Quem nasceu lá pelos anos de 1950, e sobreviveu ao tempo, vem assistindo o mundo dar voltas… são voltas com tanta velocidade, que ele corre o risco de capotar. Os sexagenários e os septuagenários assistiram:  a evolução do papel de jornal picado para o papel higiênico, do salame para a mortadela, do leite fervido para o leite pasteurizado, do colchão de capim para o colchão de mola ensacada… e mais um montão de outras evoluções do cotidiano. Também assistiram o fim de outras: do circo, do parque de diversões, das touradas, do futebol de rua, do pique de esconder, do pique bandeira, onde os velozes eram os astros principais, dos jogos de amarelinhas, dos jogos de beliscas, dos jogos de baleba… e por ai vai!

No amor, a evolução também foi intensa: as mãos que eram usadas para dar as mãos… e outras coisinhas mais, hoje já não têm essa função, pois o corpo não mais precisa ser descoberto pelas mãos, ele já está descoberto. Vejam bem: não vai aqui nenhum julgamento de valores, até porque não gosto do discurso, no meu tempo… Para mim, o meu tempo é agora!

Algumas outras evoluções da sociedade também foram importantes, a partir do meado dos anos de 1950. O reconhecimento, ainda que muito tímido, das pautas identitárias, que humanizam um pouco mais a humanidade. No entanto, esse reconhecimento atiçou a violência de uma parte significativa da sociedade que não quer se humanizar.

Mas, foi na tecnologia que o mundo deu voltas rápidas, tão rápidas que a mente humana vem tendo dificuldades em acompanhar, e está se perdendo no seu uso.  No meado do século passado, as informações ficavam restritas a uma meia dúzia de jornais e estações de rádio, que traziam para dentro das nossas casas uma  visão de mundo dos detentores do poder. A realidade era moldada de acordo com o desejo de uma meia dúzia de poderosos, e o povo não tinha outra opção a não ser acreditar no que diziam. Hoje, a realidade continua sendo maldada por meia dúzia de poderosos, só que com a ajuda de um exército de cidadãos do bem, que se julgam os donos da verdade do mundo. A facilidade de comunicação entre as pessoas e a ânsia que cada tem de querer impor a sua visão de mundo e de sociedade, me fazem crer que caminhamos, a passos largos, para o caos social e a desumanização da humanidade.

Então meus amigos, vai aí uma pergunta: será que estamos evoluindo, ou continuamos no mesmo lugar, só que vestidos em uma nova fantasia?

Oscar Rezende

Vitória, outono de 2022

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