O tempo é assim! É quem mais entende de solidão.
E o silêncio? O silêncio é o grande parceiro da solidão, não só o silêncio da voz, mas, principalmente, o silêncio da alma.
Falam-se do supermercado; falam-se do trabalho; falam-se do soberano smartfone, arrastando sua tela em direção aos quatro pontos cardeais; falam-se dos filhos que não apareceram; falam-se dos amigos que já morreram; falam-se de tudo! Tudo na mais profunda solidão.
Uma solidão que não escarafuncha as entranhas; uma solidão que não arrepia a pele; uma solidão que não aquece o coração; uma solidão que aperta o peito.
E o tempo? O tempo é o calendário de uma rotina imutável, que carrega na sua falsa harmonia a solidão compartilhada.
Oscar Rezende
Vitória, primavera de 2022.
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