Precisamos falar sobre o rio calçado

Essa é a crônica de uma morte anunciada. É só olhar para os sinais da natureza para entender que o rio calçado agoniza em seu leito. Pena que não tivemos e, não temos, um só pingo de respeito pelo moribundo; ao contrário, o que fazemos é chacota: dançamos a dança da morte ao lado do seu leito, construindo casas,   jogando  todo o tipo de lixo e   impedindo que o néctar da  vida corra  livremente  em seu leito. E agora? Agora lamentamos! Com a cara mais limpa, fingindo de inocentes, como se não fossemos nós os grandes responsáveis por tudo o que acontece.

Vejo lojas e casas com calçadas elevadas, vejo o poder   publico se vangloriando por distribuir colchões, comida e limpar a sujeira fétida que a morte do rio deixou pelo caminho. Tudo isso é paliativo, é como remover a água da rua com um balde furado.

No futuro, que pode ser contado em poucos anos, ou quem sabe em meses, a morte do rio causará muitas dores: casas serão destruídas, famílias ficarão sem teto, prejuízos econômicos  afetarão a todos, mesmo àqueles que vivem  no conforto do alto da  montanha e fecham os olhos para a tragédia que se anuncia. Ou Calçado acorda para valer, sem usar a tragédia como arma política, e culpar sempre o outro, ou estamos condenados a afundarmos na lama e no lixo que o rio carrega em suas entranhas.

Se me perguntarem o que é possível fazer, tenho a minha opinião:  de um leigo, que tecnicamente pode ser inviável e nem fazer sentido; mas vou escrever assim mesmo. Enquanto não se restaura as vegetações que irão proteger o rio, penso que construir uma represa para controlar o fluxo de água na cidade e o abastecimento residencial, ali   pelos lados do Sr. Abelardo, acompanhado de uma limpeza geral do leito do rio no perímetro urbano, seria uma forma de amenizar o problema.  Recursos para isso é com o poder público, que deve, através dos seus técnicos, desenvolver projetos e  pleitear recursos junto aos governos estadual e federal; e  a população,  cabe cobrar.

 Nada disso fará sentido se nós calçadenses não nos conscientizarmos que tudo o que vem acontecendo na cidade é de nossa responsabilidade. Esse problema é de todos, não adianta empurrar para outro.  Como se diz no popular: ou vai ou racha, antes que seja tarde.  

Oscar Rezende

Vitória, verão de 2023

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