Clique! Clique! Clique!

Um clique é um ruido curto, leve e nítido, ou seja, é o som de uma máquina de tirar retrato. A fotografia, além de contar a história do homem há mais de dois séculos, tem   o poder de captar, nas suas imagens, os sentimentos.  Por vezes, enxergamos em uma imagem fotográfica um instante que expressa alegria, tristeza, angústia… O flash de uma máquina fotográfica tem o poder de tirar a alma da escuridão.

Com o desenvolvimento tecnológico, a fotografia passou por mudanças que, em minha opinião, para pior, pois o encanto da imagem impressa em papel se perdeu. Hoje, vivemos uma overdose de imagens que sufocam os nossos olhos e a nossa alma. Eu mesmo já observei o quanto um velho álbum encanta: a minha neta Manuela quando vem aqui em casa e pega os álbuns de fotografias amareladas do seu pai, quando criança, fica fascinada. —  Tenho a impressão de que ela reconhece nas imagens amareladas mais da sua própria história do que nas fotos que inundam as mídias eletrônicas a que tem acesso.

 Todo esse preâmbulo é para falar de um personagem calçadense que, muitos, principalmente os da minha geração, irão se   lembrar com ternura: o fotografo “Depressinha”, que oficialmente se chamava Antônio José da Silva, e era dono da Foto Santo Antônio, que ficava no meio da ladeira. Depressinha morreu recentemente! Ele   foi um poeta calçadense que escreveu, com seus cliques ligeiros e pernas ágeis, parte da história de muitos de nós calçadenses.

Com o seu jeito peculiar que, deu origem ao seu apelido, Depressinha corria ao redor dos noivos e das noivas, para não perder nenhuma expressão que pudesse eternizar, em imagens, a felicidade que se manifestava nos rostos dos nubentes. Nos dias de bailes e carnavais no Montanha Clube, lá estava ele, no meio dos dançarinos, captando com os seus cliques os sentimentos que, o cheiro do perfume, do laquê, do suor, do amor e do sexo provocavam naquele salão.  

Após os momentos mágicos vividos   no Montanha Clube, era hora de irmos à Foto Santo Antônio, para escolhermos no varal de fotos e de monóculos coloridos, as imagens que perpetuaram   alguns  momentos das  nossas histórias.    

Depressinha foi embora, mas a sua história se eternizará em nossas lembranças!

Oscar Rezende

Vitória, outono de 2023

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