Roubei esse título de um dos filmes de que mais gosto… Um drama estrelado por Jeremy Irons e pela maravilhosa Juliette Binoche, ainda jovem. O filme conta a história de um pai que se apaixona pela namorada do filho, e assim segue o drama… Não vou continuar para não dar spoiler.
Se eu pensasse na vida, acrescentaria ao título mais uma palavra: ganhos! Ganhei muito da vida e continuo ganhando… Mas hoje é dia de falar de perdas e danos e de seu principal responsável: o tempo—esse onisciente, que tudo vê e tudo pode, com quem tenho uma relação de amor e ódio!
O tempo me deu o amor, os filhos, os netos (ainda espero os bisnetos), os amigos, o trabalho — ou seja, tudo aquilo que me faz feliz. No entanto, como é implacável, resolveu impor-me algumas perdas, em módicas prestações, causando pequenos danos à minha alma.
Poxa! Como perco! Perco o brilho dos olhos, o frescor da pele, o equilíbrio do andar, o alinhamento da coluna, os desejos, a atenção das pessoas… E perco as pessoas. O tempo, além de não se importar com minhas perdas, ainda é debochado, soprando lembranças da beleza da juventude, dos desejos, do sol, da lua — de todas as belezas que me rodeiam e que já não sou capaz de tocar.
Com o passar dos anos, o sopro frio do tempo aumenta os danos que nos causa: leva familiares, leva amigos e leva, aos poucos, toda uma geração. Sua lógica é: “quanto mais tempo lhe concedo, mais perdas e danos lhe imponho”. Mas o que se há de fazer? Nada, a não ser um pacto de silêncio com ele!
Então, o jeito é que cada um se entenda com o tempo! Tento olhá-lo de um lugar privilegiado, sem a pretensão de solucionar todos os meus problemas, pois, por mais perto que estejam de mim, muitas vezes, resolvê-los não está ao meu alcance.
O tempo não me entristece. Ao contrário, ele me traz um sentimento de completude da vida e me ensina a ouvir o silêncio.
Tempo! Tempo! Tempo! Por que tantas perdas e danos?
Oscar Rezende
Buenos Aires, inverno de 2023
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