
A árvore que eu e minha companheira Ana estamos cuidando brotou mais um galho, ou melhor uma flor: nasceu Elis. As raízes dessa árvore continuam alimentando seus galhos com a seiva do amor. Não um amor platônico, que se esconde no silêncio, mas um amor barulhento e reflexivo, que jorra emoções por todos os lados. É alimentando dessa seiva que Manu, Otto e Elis, estão enfrentando o mundo, cada um com o seu eu.
Manuela já está uma mocinha, tem o perfil da mulher valente, assim como a avó. É amorosa, independente e de excelente relacionamento com amigos e amigas. Além disso, uma aventureira: faz certas estripulias que, às vezes, precisam ser contidas, uma herança do pai. O Otto é um meninão que, agora, inicia um relacionamento mais independente com o mundo. Às vezes é um pouco tímido, mas, quando está com os bonecos de super-heróis nas mãos, se transforma em narrador de aventuras.
Hoje a crônica vai para duas guerreiras: Barbara e Elis que, terão muitas histórias para contar juntas. Desde sua chegada de Elis já é uma história. vou relembrar como foi, no o relato de sua mãe:
“Então gente, vou contar aqui a doideira que foi. Eu comecei a sentir umas cólicas na noite passada, eram colicazinhas assim enjoadas, como um dor de barriga, que me incomodavam para dormir, mas, não era assim um trabalho de parto! Durante o dia, de manhã fui fazer algumas coisas na rua, e não tive cólicas, á tarde, depois do almoço, fui descansar, pois não havia dormido bem a noite anterior. Mas, não consegui descansar, as cólicas começaram a ficar mais chatinhas, mais chatinhas, mais chatinhas, parecendo muito com as cólicas do trabalho de parto do Otto. Como eu tinha consulta às quatro da tarde, resolvi esperar até o horário da consulta, para ver se tinha alguma dilatação. Fui até mais cedo, às três e meia. O médico fez o toque e falou que ela ainda estava posterior, estava alta, não havia nada dilatado… deve engatar o trabalho de parto na madrugada ou amanhã. Volta para casa, descansa e a gente vai se falando. Saí do médico, fui para a padaria tomar um café e continuei tendo as colicazinhas chatas. Lá pelas cinco horas, já em casa, deitei e fiquei um tempo com o Otto ao meu lado. Às seis da tarde as cólicas começaram a se intensificar — fiquei observando — começou parecer uma cólica de trabalho de parto. Mas gente, eu não estava esperando que fosse rápido assim, então, fiquei ali em casa, pois não estava dilatada e imaginei que não fosse rápido. De repente ficou dolorida, as contrações ficaram doloridas e regular, avassaladoras, de dois em dois minutos. Eu fui para o chuveiro para tentar uma forma de parar, e nada. Aí foi muito rápido. O Heitor falou que precisávamos ir para o hospital, mas eu não conseguia sair do lugar e gritava. Enfim, foi meio doido… E o Heitor dizendo que precisava me tirar de casa. Ele tentou me enxugar e botar uma roupa em mim, mas eu não estava mais respondendo, estava fora de mim. Então, ele resolveu descer e botar as malas no carro, dizendo que depois viria me pegar no colo para levar para a maternidade. Quando ele desceu para garagem, ela nasceu… Eu comecei a gritar muito, o Otto estava em casa com a Val, fora do quarto. Eu comecei a gritar muito, chamando a Val, pedindo a ela que me ajudasse… era uma coisa muita estranha. De repente a bolsa estourou e eu gritando com a Val que ela ia nascer aqui. Val demorou um pouco a entrar no quarto, ela estava assustada por causa do Otto, e não sabia o que fazer. Quando entrou, Elis estava nascendo: saiu a cabeça, na contração seguinte saiu o corpo e Val desesperada, tinha uma circular no cordão, mas eu já sabia, pois tinha visto no ultrassom e isso não impede, o médio já havia explicado. E eu tentando tranquilizar a Val, coitada! Ela gritava que o cordão umbilical estava no pescoço e eu dizendo: calma, calma, tá tranquilo, isso não é problema. E, aí, nasceu, o Otto viu tudo, ficou quentinho olhando. Um minuto depois Heitor entrou… tremendo, não conseguia ligar para ninguém, até que conseguiu ligar para a pediatra. Ela fez uma chamada de vídeo e mostrei Elis para ela. A Elis chorou, a pediatra pediu para ver o corpo, ver o pé, e disse pra mim que estava tudo bem, para me acalmar, é claro, pois ela não sabia se estava tudo bem.”
E assim Elis chegou!
Bárbaras! Barbara e Elis.
Oscar Rezende
Vitória, verão de 2023
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