O cachorro magro e sarnento sobe a ladeira vazia da cidade. O homem de chapéu Panamá e linho engomado desce a ladeira segurando entre os dedos amarelados pela nicotina um cigarro sem filtro. As vendas estão com as portas cerradas e os casarões emolduram em suas janelas rostos curiosos. O sol escaldante do meio-dia aquece... Continuar Lendo →
crônicas
A solidão compartilhada
O tempo é assim! É quem mais entende de solidão. E o silêncio? O silêncio é o grande parceiro da solidão, não só o silêncio da voz, mas, principalmente, o silêncio da alma. Falam-se do supermercado; falam-se do trabalho; falam-se do soberano smartfone, arrastando sua tela em direção aos quatro pontos cardeais; falam-se dos filhos... Continuar Lendo →
Uma companheira indigesta
Se tem uma companhia indigesta na vida, um encosto que não larga do pé, é a morte. A única maneira de se livrar dela é não nascer, mas, como essa solução não está à mão, o jeito é conviver com ela. E olha que essa convivência ultrapassa a própria morte! Depois eu explico! Não há... Continuar Lendo →
O palco da vida
— Vamos, o carro chegou! — disse ela, vestida com elegância, como a ocasião exigia. As marcas dos anos já se faziam presentes no seu belo rosto de nariz afilado; seus olhos negros, ainda brilhantes, irradiavam a calma de quem já aceitou a submissão ao tempo. Afinal, estávamos juntos a quarenta e cinco anos. —... Continuar Lendo →
Réquiem de um sonho
Chovia lá fora! O frio congelava a alma de Rodolpho. Lisa escutou a porta do quarto se abrindo. Pelo barulho dos passos sabia que era ele. Rodolpho chegou com um sorriso aberto, como se tentasse lhe dizer que nada daquilo estava acontecendo, e que tudo ficaria bem. Na mão esquerda carregava um buque de margaridas... Continuar Lendo →