O tempo é assim! É quem mais entende de solidão. E o silêncio? O silêncio é o grande parceiro da solidão, não só o silêncio da voz, mas, principalmente, o silêncio da alma. Falam-se do supermercado; falam-se do trabalho; falam-se do soberano smartfone, arrastando sua tela em direção aos quatro pontos cardeais; falam-se dos filhos... Continuar Lendo →
crônicas
Uma companheira indigesta
Se tem uma companhia indigesta na vida, um encosto que não larga do pé, é a morte. A única maneira de se livrar dela é não nascer, mas, como essa solução não está à mão, o jeito é conviver com ela. E olha que essa convivência ultrapassa a própria morte! Depois eu explico! Não há... Continuar Lendo →
O palco da vida
— Vamos, o carro chegou! — disse ela, vestida com elegância, como a ocasião exigia. As marcas dos anos já se faziam presentes no seu belo rosto de nariz afilado; seus olhos negros, ainda brilhantes, irradiavam a calma de quem já aceitou a submissão ao tempo. Afinal, estávamos juntos a quarenta e cinco anos. —... Continuar Lendo →
Réquiem de um sonho
Chovia lá fora! O frio congelava a alma de Rodolpho. Lisa escutou a porta do quarto se abrindo. Pelo barulho dos passos sabia que era ele. Rodolpho chegou com um sorriso aberto, como se tentasse lhe dizer que nada daquilo estava acontecendo, e que tudo ficaria bem. Na mão esquerda carregava um buque de margaridas... Continuar Lendo →
O poder da finitude
Hoje estava relendo um dos clássicos da literatura brasileira, Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Ao ler o capítulo sobre a morte da cachorrinha Baleia, que recebeu um tiro de Fabiano no quarto traseiro, por acreditar que ela estivesse doida, fui envolvido de tal forma pela leitura, que o autor me conduziu às profundezas dos pensamentos... Continuar Lendo →