Capitalismo, comunismo, socialismo e outros “ismos” são os regimes políticos, sociais e econômicos que andam pelo mundo. Se eu pudesse criar um “ismo” para mim, criaria o “utopismo”, atendendo a um conselho, mais ou menos assim, do nosso Eduardo Galeano: a cada ano de vida devemos dar um passo à frente, em direção a nossa utopia. A minha utopia é viver em uma sociedade em que todos tenham direito a uma vida plena: com trabalho, lazer e respeito mútuo, em que o “ser” seja mais importante do que o “ter” … E o nosso único problema seria lidar com as mãos do destino. Ou seja, a minha utopia é uma “hiper utopia’!
Nem que eu caminhe infinitos passos pelo tempo, vou alcançar a minha utopia, e a melhor explicação quem me deu foi José Saramago, no seu livro, Cain: quando Deus expulsou Adão e Eva do paraíso, eles se juntaram às caravanas dos homens comerciantes, e foram caminhar pelo mundo, a inocência deles acabou! E a minha utopia foi junto!
Não entendo por que razão Deus jogou por terra o meu mundo utópico? Acho que foi por implicância com uma maçã envenenada pela serpente do prazer, e deixou que uma outra serpente, muito mais venenosa, nos inoculasse o vírus da luta de classe.
Ontem, assistimos pelas ruas do Brasil como esse vírus é mais poderoso que o tal coronavírus. Os empresários saíram em carreatas, montados em seus carrões, vestidos de verde e amarelo, para dizer que o coronavírus é uma invenção comunista e que o lucro das suas empresas é mais importante que a vida do trabalhador. E, para mostrar que são poderosos, convidaram os trabalhadores que não têm carro, para correrem atrás dos seus carrões, como cães vira-latas. E, por incrível que pareça, encontraram alguns!
Mesmo que Deus esteja preparando um novo fim do mundo, Noé, montado em sua grande nave espacial, levará um casal dessa elite podre que existe no Brasil. Eles viajarão numa suíte de luxo, enquanto o casal de trabalhadores irá para porão úmido da nave, sujeito a todos os tipos de vírus.
Acaso seja eu um dos escolhidos para ir nessa nave, levo junto a minha utopia, sem ela não vivo.
Oscar Rezende
Vitória, março de 2020
Muito bom!
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