Há algum tempo ressuscitei o apelido Broinha, quando criei o site “O Broinha”, e fui criticado por isso. Esse apelido adormeceu por muito tempo na memória de uma geração de calçadenses, que associava o apelido às chacotas do nosso arquirrival “Bondinho”. Infelizmente tive que tirar o site do ar, a plataforma utilizada na internet ficou ultrapassada, o que inviabilizou sua manutenção.
Agora, estou aqui aproveitando a quarentena e inventando besteiras para escrever. Resolvi, então, criar uma situação hipotética: imagine se o tempo desse um cavalo de pau, e você fosse obrigado optar por ser Broinha ou Bondinho, qual escolheria? Vou ajudá-lo a decidir, reproduzindo um papo reto entre essas duas cidades rivais:
“Broinha, você sabe por que brigamos?”
“Acho que pelas nossas virtudes, Bondinho!”
“Como assim?”
“Sem você, Bondinho, eu não seria o que sou! Você iluminou a minha vida, com a Força e Luz. Se bem que qualquer chuvinha apagava a sua luz!”
“Verdade Broinha, eu levei a luz para você, mas você me devolveu outra luz, a luz do saber. Foi naquele seu colégio maravilhoso que o meu cérebro se iluminou.”
“Ah Bondinho! E o seu cinema, o grande Monte Líbano, com aquela espetacular tela que passava filmes coloridos e em CinemaScope. Eu sonhei, amei e chorei com os seus dramas; briguei com os seus bangue-bangues; me arrepiei com os seus suspenses e me emocionei com os seus épicos, lembro-me de Ben-Hur!”
“Sem querer dar uma de machista, mas a sua beleza, Broinha, era estonteante para os meus olhos. Os bailes no Montanha Clube eram um desfile de beleza feminina, não tinha paralelo em canto algum”
“Realmente, a minha beleza se destacava, mas, sem os enfeites das suas lindas lojas, ela ficaria escondida. A minha beleza também é sua Bondinho!”
“Broinha, você me presenteou com o saber. Os seus professores vieram nos ensinar Matemática, Português, Ciências, artes, línguas estrangeiras, filosofia… Você me abriu as portas do conhecimento!”
“Você também me abriu portas Bondinho! As portas do mundo. A sua empresa Brasil me levou para o Rio, Niterói, Vitória, ou seja, fui para o mundo embarcado nos seus ônibus!”
“E o seus Carnavais no Montanha Clube?”
“E as suas festas de agosto?”
“E os seus: Vilmar, Orcino, Enoclides, Tide, Mario Rubens, Mauro…?”
“E o seu Olímpico?”
“E a sua cultura?”
“E a sua modernidade?”
“E o seu clima?”
“E o seu Calor?”
“Broinha, não vivemos um sem o outro!”
“Bondinho, não vivemos o outro sem o um!”
Eu optei pela Fazenda Velha, fiquei em cima do muro, no meio do caminho!
Oscar Rezende
Vitória, abril de 2020
Obs: Broinha – São José do Calçado.
Bondinho – Bom jesus do Itabapoana.
Duas cidades vizinhas: uma do sul capixaba outra do norte fluminense.
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