Hoje é domingo…

Hoje é domingo

Pé de cachimbo

O cachimbo é de barro

Bate no jarro

O jarro é de ouro

Bate no touro

O touro é valente

Machuca a gente

Hoje é domingo

…………………….

Domingo é dia de missa:

Às 7 horas já estava na igreja, era a única atividade de domingo que eu não apreciava. O padre Amando, de costas para os fiéis, rezava uma missa monótona,  chata e zangando com as crianças. Para complicar ainda era em latim. Ninguém ali entendia nada do que ele falava… com certeza muitos, assim como eu, estavam com os pensamentos bem longe dali.

O máximo da minha concentração na missa era observar as andorinhas voando de um lado para o outro no teto da igreja, torcendo para que uma delas cagasse na cabeça de alguém. O que eu deseja mesmo era ter idade suficiente para ficar lá atrás, perto da porta de saída, ajoelhado em um só joelho, ou de pé,  conversando baixinho com os amigos, como faziam os homens da cidade. Na cerimônia religiosa tinham dois momentos que gostava, o  da homilia, que não entendia nada, e o da comunhão: quando podíamos ficar sentados. Mas, o ápice da satisfação era a benção final.

Domingo é dia de banquete:

O almoço de domingo era sempre mais tarde, por volta do meio-dia. Era dia de comer tutu de feijão, lombo de porco, macarronada e maionese. No entanto, alguns domingos eu encontrava com o padre duas vezes. Aos domingos o padre Amando escolhia uma casa para almoçar. A nossa tinha a sorte de ser uma das escolhidas por ele.

Domingo é dia de futebol:

A movimentação do futebol começava por volta das 10 horas, no bar do seu Carlindo, no pé da ladeira. Ali os torcedores se reuniam para fazerem às suas previsões, comentar o jogo das 15 horas e  desconfiar das  “virtudes” do  juiz, que viria de uma cidade vizinha.

Eu chegava no estádio Ernesto Guimarães, o famoso estádio do Americano Atlético Clube, por volta das 13 horas. Me encostava no alambrado (a cerca de arame) para assistir ao jogo dos aspirantes. Às 15 horas o foguetório anunciava que o azul celeste entrava em campo. Ao lado de dois torcedores símbolos do Americano, os irmãos Carlos e Afrânio Rezende, eu assistia ao jogo, sem perder um único lance. Quando era contra o Rosal ou o Boa Vista de Apiacá, não ficava tenso, pois ganhávamos sempre. O problema era quando jogávamos contra o Santa Izabel e o Santa Maria, times dos temíveis Cocota e Jiló, ou contra o Motorista, o nosso arquirrival, outro time da cidade.

Domingo é dia de cinema:

Após o jantar, o revirado de domingo, mistura de todas as sobras do almoço, o caminho da diversão era o Cine São José, para assistir os famosos filmes de Tarzan ou faroeste, todos em preto e branco, um charme daquele tempo. Os filmes de amor eu não gostava, mas assistia assim meso, afinal era domingo.

Segunda feira às 7 horas estava de volta ao Ginásio de Calçado, novamente de frente com o padre Amando, nas aulas de Frances.

Eta saudade brava que aperta o coração!

Bom domingo a todos.

Oscar Rezende

Buenos Aires, dezembro de 2020

2 comentários em “Hoje é domingo…

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  1. Oi, amigo!! Também assisti missas em latim com o padre Amando. A emoção que tenho vivido lendo seus contos só pessoalmente para te falar . Grata mais um vez pelos
    Livros. Sublimou meu isolamento da pandemia. Grata mais
    Uma
    Vez. Já já te mando os meus. 👏😍👏

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