Sofrer por amor

Esse título cafona aí em cima parece mais de um  bolero mexicano,  estilo musical muito cantado na metade do   século passado, que poetizava o amor, principalmente os sofrimentos causados por ele. No entanto, o amor é um sentimento muito mais amplo do que aquele entre dois amantes, que nem sempre é  perene, mas que os poetas descrevem, com maestria, juntando meia dúzia de palavras. Existem outras dimensões do amor, por exemplo, o amor que sentimos pelos filhos e pelos amigos. No entanto, hoje eu vou falar de um outro amor, que talvez,  alguns amigos que lerem esse texto, vão dizer que eu tenho um parafuso a menos…  e pode ser que eu tenha mesmo! O amor que vou descrever é o meu amor pelo Vasco.

Esse amor começou lá pelo início dos anos 1960… não sei como ele invadiu a minha alma! Só sei que se instalou por lá   e foi crescendo, crescendo e continua crescendo. Parece que essa porra não tem limite! Para dar conta desse amor, até mandinga serve: eu tenho um amigo vascaíno que  talvez sinta esse amor de maneira semelhante à minha. Nós assistimos juntos os jogos do Vasco por um longo tempo, mas não conseguíamos ter alegrias juntos.  Decidimos, por consenso e sem falar um com outro, que estarmos juntos nos jogos do Vasco dava azar, então passamos fazer comentários do jogo, em tempo real, pelo Whatzapp, mas não adiantou, o azar continuou. O jeito foi deixarmos para fazer os comentários só após o jogo, e o azar continuou. Só nos resta agora pararmos de conversar um com o outro! Será que isso é sinal de insanidade metal?

Nessa minha longa caminhada de torcedor apaixonado pelo Vasco, são as derrotas que aumentam a intensidade do meu amor, e consequentemente do sofrimento. O sofrimento deixa uma angústia e uma vazio impregnado na alma da gente, que não tem remédio que amenize, a não ser que as vitórias voltem. Mas, olha que coisa contraditória e louca: o amor com muita alegria tem gosto de chuchu! Para amar um clube é preciso sofrer por ele. Vejo muitos amores por clube que viram moda, o time está ganhando, então a onda vai… isso não é amor, é oportunismo!

O Vasco, nessa sua longa história de vitórias e de derrotas, nunca havia me feito sofrer tanto como nesse ano, o pior ano da sua centenária história. Mas, como só de história ninguém vive, uma outra dimensão do amor que arrefece alma da gente é a esperança, que hoje, infelizmente  se apresenta como uma nevoa  de fumaça à minha frente.

Mas, como diz o velho ditado popular: “a esperança é a última que morre”. E eu acrescento: “a esperança só morre ser for junto comigo”.

Oscar Rezende

Vitória, primavera de 2021

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